Seção 2. A Origem do Que É “Verdadeiro”
2.1. O que Queremos Dizer ao Falarmos que algo é “Verdadeiro”
Se existe um ser verdadeiro neste universo, quem seria ele? É o ser Absoluto. Em coreano chamamos este ser Absoluto de “Um só Senhor e sem outro igual”. Falando de forma abreviada, este “Um só Senhor e sem outro igual” se torna Deus. Assim, Deus é esse Senhor único, e sem igual. Que tipo de ser é Deus? Deus ama tanto os bons quanto os maus na Terra. Até os condenados à morte por terem cometido crimes, ao e irem para o paredão de execução dizem antes de morrer: “Deus, tenha piedade de mim”. Como é possível a uma pessoa que será executada por fazer algo mau, querer voltar a se apoiar em Deus novamente, depender Dele e viver com Ele, determinar-se a recomeçar sua vida, com nova esperança e desejar internamente apelar a Ele deixando até mesmo a seus pais e irmãos? Isto acontece porque Deus é Verdadeiro.
Uma pessoa verdadeira, não pode gostar somente daqueles que gostam dela, mas tem que gostar inclusive daqueles que são seus inimigos e desejam sua morte. Uma pessoa verdadeira, é aquela a quem gostaríamos de confiar tudo, com quem gostaríamos de consultar a respeito de tudo e para quem desejamos o melhor.
Até agora no decorrer do curso de suas vidas, os senhores provavelmente já odiaram alguém. Alguém que alguma vez já odiou outra pessoa é uma pessoa verdadeira ou uma pessoa falsa? É uma pessoa falsa. Sem dúvida alguma, é uma pessoa falsa. Existe muita gente falsa neste mundo. Alguém quer deseja ser verdadeiro, deve tratar bem à ambos: bons e maus. Até mesmo entre os membros da igreja da unificação, se existir pessoas que realmente gostam dos que delas gostam e propositalmente detestam as pessoas que não gostam delas, seria este um grupo de pessoas boas ou más? É um grupo mau!
Por isso, vamos gostar até mesmo das pessoas que nos odeiam. Se eu gostar de alguém que me odeia, essa pessoa também irá gostar de mim. Se eu trato bem essa pessoa que me odeia pelo menos por três vezes, ela abaixará sua cabeça. Tentem fazer isso uma vez para ver se é ou não desse jeito que ocorre. Toda pessoa tem consciência, e assim, cada um sabe se está agindo certo ou errado. (39-301, 16/01/1971)
Há muita gente boa em nosso país, não é mesmo? E existe muita gente de destaque no mundo. Existem também os “grandes homens de renome”. Quem é o grande homem de renome da Coréia? Em quem vocês pensam, quando dizemos “o grande homem da Coréia”? Ao se falar sobre o grande homem da Coréia normalmente falamos sobre o Almirante Yi Sun Chin. Yi Sun Chin é também um dos grandes homens de renome da história. Todos vocês gostam do Almirante Yi.
Será então que o Almirante Yi foi uma pessoa verdadeira ou não? Os senhores não sabem dizer. Não sabem, mas mesmo assim, ainda gostam dele. Porém, eu não gosto dele tanto assim. Por ouvir-me falando desta maneira, talvez pensem: “Que estranho! O que está acontecendo com ele que não gosta do nosso patriota?” Talvez achem que sou um comunista ou um traidor, mas ainda assim eu não gosto do Almirante Yi Sun Chin. Vou dizer-lhes por que eu não gosto dele.
Se mencionarmos o Almirante Yi, todos os coreanos o consideram como um patriota. Porém, ele é um inimigo para os japoneses. Os japoneses o tem como inimigo. Isto está registrado até nos livros de história do Japão. O Almirante Yi é um patriota para os coreanos e é um inimigo para os japoneses, por isso eu não gosto dele. O que é “verdadeiro”, deve ser verdadeiro na Inglaterra, na Alemanha, nos Estados Unidos, na Coréia, na África, no Japão e em qualquer lugar. Assim sendo, o verdadeiro não têm inimigos. Não há ninguém que o verdadeiro não goste. Quando, por um lado, uma parte gosta dele e outra não, então este não é completamente verdadeiro.
Se o Almirante Yi Sun Chin tivesse sido uma pessoa completamente verdadeira, tanto os coreanos como os japoneses teriam que adorá-lo como uma pessoa verdadeira. Porém observando-o desde este padrão, vemos que o Almirante Yi não foi uma pessoa completamente verdadeira. Sigamos que ele conseguiu ser uma pessoa um pouco verdadeira. Apesar de ser uma pessoa verdadeira na Coréia, no Japão ele não foi verdadeiro. Não há objeções quanto a isso. Como eu gosto de pessoas verdadeiras, não gosto do Almirante Yi, já que ele é “menos” verdadeiro.
Então, que tipo de pessoa é uma pessoa verdadeira neste mundo? Como lhes falei anteriormente, é aquele de quem gostam tanto os bons como os maus. De quem mais gostam os bons? Tem que ser também a quem os maus mais odeiam? Por acaso não deveria ser também aquele de quem os maus mais gostam? Hoje, aqui neste lugar temos um balaio onde se misturam pessoas boas e pessoas más, porém cada um deseja o melhor. Ambos desejam e aspiram “o melhor”. Todos gostam do melhor. Gostar de “todos” significa gostar tanto de bons como de maus.
Portanto quando alguém passa a não gostar de outra pessoa por ser dito que tal pessoa é má, este alguém então não é verdadeiro. Temos que gostar tanto de pessoas boas como de pessoas más. Esta é a definição do que é uma pessoa verdadeira. Uma pessoa verdadeira é alguém que gosta ao máximo tanto de bons como de maus. Se existir um cavalheiro assim, este cavalheiro será uma pessoa verdadeira.
2.2. A Fonte do Verdadeiro
Ser verdadeiro não é algo limitado a indivíduos. Ito se aplica ao todo e busca estabelecer conexões de valor que estão além do todo. Já que a verdade é apreciada e buscada por todos, ela deve estar em toda parte. (63-86, 08/10/1972)
Não fomos reunidos aqui por um propósito individual, mas sim pelo propósito do todo. É por isso que devemos sempre dar prioridade à família antes do indivíduo, ao povo antes da família, à nossa nação antes do povo e ao mundo antes da nossa nação. Antes que o indivíduo seja verdadeiro, devemos procurar fazer com que nossa família seja verdadeira e mais ainda, fazer com que a nação e o mundo sejam verdadeiros.
O ser humano está em um curso de restauração de forma que o indivíduo por si mesmo, não pode chegar a ser a fonte motivadora de todas as bênçãos. Assim sendo qual deve ser a fonte motivadora? A verdade. Se o ser humano quer alcançar o aspecto verdadeiro, deve estabelecer uma relação com Deus, fonte de toda a vida, morte, infortúnio e bênção. Sem estabelecer essa relação, não se pode atingir uma imagem verdadeira dentro de um corpo individual.
A verdade tem que estar inevitavelmente centrada em Deus. Assim a verdade é estabelecida quando se é possível possuir uma base definitiva pela qual se possa por em ordem e governar toda a humanidade. Precisam saber que sem possuir essa base o substantivo verdade não pode ser estabelecido.
A fonte da verdade é Deus. A verdade se realiza pela existência de Deus. Se Deus vai embora, a verdade vai embora também. Aqui surge então a fonte do mal, daquilo que não é verdade.
Tem que existir a verdade para que se possamos obter resultados verdadeiros. Em outras palavras, por que Deus existe, os desejos de Deus podem ser realizados. Assim sendo, os substantivos verdade e bem foram definidos dando-se primazia a Deus e não ao homem. Ao vermos por este ponto de vista, a verdade não é algo sobre o qual podemos pensar conforme nossa própria vontade. E mais, a verdade não está em uma posição em que a humanidade decaída venha a controlá-la como uma subordinada, mas sim devemos saber que a verdade está nos dominando. Devido a isso, devemos sempre ser submissos perante a verdade. Devemos nos adaptar a onde a verdade está estabelecida. Na há como negar em suas realidades diárias ou analisando suas consciências o fato de que a verdade é pertencente aos Céus. (24-313, 14/09/1969)
Em muitos casos, por hábito dizemos em nossa oração, “Verdadeiro Deus, Santo Deus que estais no Céu...”, porém, até agora não houve verdade em um sentido mais amplo. Devido a não ter havido isso, a fonte da verdade não estava por trás da história que o ser humano tem percorrido, más sim, em uma posição transcendente. Ela parte de lá. E ainda mais, isso quer dizer que devemos procurá-la em qualquer parte onde se transcende o ambiente, a religião não é algo em que acreditamos tendo ao homem como centro.
Obviamente, há também pessoas que centralizando-se nos fundadores das religiões, estabelecem seu padrão de fé e assim o seguem. Mas, há também pessoas que em uma posição transcendente intervêm perante Deus e têm buscado pela verdade.
Ao observar isto, vemos que no curso da vida de muitos seres humanos, ao longo da história ou na sociedade atual, não pudemos possuir essa fonte da verdade.
Os seres humanos, relacionando-se entre si mesmos, não podem produzir a fonte da verdade. O verdade é o padrão absoluto, e por isso, não pode deixar de aparecer em cena a questão sobre Deus, o absoluto, a Divindade. Por que é assim? Porque até agora na Terra não existiu uma pessoa verdadeira. Esta é a razão pela qual, direcionando-se para a verdade, uma pessoa não pode chegar a ser ela por si só a motivação da verdade. Esta motivação deve ser Deus. Nos momentos cruciais da história humana ou da religião, Deus sem falta, entra em cena. O Ser Absoluto é infalivelmente necessário.
Falando-se sobre o objetivo perseguido pela filosofia, o objetivo último que tem sido perseguido através da verdade, ou até mesmo em uma incursão quanto à origem da existência, neste ponto inevitavelmente Deus, o ser transcendente, o ser absoluto, vem a interpor-se. Qual o por que disto? Porque sem uma relação com o Ser Absoluto, as questões quanto a origem do conhecimento ou o valor da existência não podem ser respondidas. Por isso, sempre em situações críticas, o homem busca as soluções por meio da verdade. Não podemos negar esta realidade.
Devido a isso, a fonte da verdade não surgiu com o homem apenas, mas inevitavelmente teve a intervenção de Deus, o ser absoluto. Uma religião que professa a verdade, não pode pensar nela separada de Deus. Nem a ética e a moral, que professam a verdade, podem negar Deus.
Assim, Confúcio dizia que, “aqueles que forem obedientes ao Céu subirão, enquanto que aqueles que traírem o Céu, declinarão”. São palavras centradas no Céu. Deve-se incluir no Céu (Deus). As ascensões e declínios não são controlados pelo homem em si, mas sim determinados pelo Céu. Ao observar esta realidade, surge a questão sobre se existe alguma pessoa verdadeira dentre todos os que estão vivendo nesta Terra, partindo da base de que nada e ninguém pode chegar a ser verdadeiro, a menos que nos mostre a fonte disto e a menos que a motivação seja o Céu.
Qual é o lugar onde a verdade pode se alojar? É claro que Deus deseja estabelecer o local da verdade na terra com a origem desta a partir do Céu. Este é o desejo de Deus. A pergunta é onde ela pode permanecer. Ela deve permanecer ao redor de nossa vida e por isso Jesus disse: “O Reino de Deus está dentro de vós”. O Reino dos Céus, essa nação verdadeira, está em seus corações, ali, no vale mais profundo do seu ser, onde não há indícios de uma mente egoísta.
Se analisarmos a estrutura de nossa mente, veremos que ela está munida de intelecto, emoção e vontade. Em qual delas a verdade residirá? Entre elas o fundamental não é o intelecto e nem a vontade mas sim, a emoção. Se existe algo que para você é bastante valioso, onde o guardaria? Em algum lugar que só você e mais ninguém conhece. Nesse lugar, ninguém poderá mexer e nem tocar, quer dizer, um lugar onde só você tenha controle absoluto. Onde fica esse lugar? Fica no fundo do coração. Enterrem em seus corações e, então, coloquem em um lugar onde possam dizer: “sim, está aqui, posso ficar tranqüilo”, ou “aqui está seguro”, assim como guardam objetos de valor em um lugar tal como a cômoda de seu quarto. Desta perspectiva, o lugar onde o verdadeiro pode morar é no fundo de seus corações. (24-315, 14/09/1969)