Seção 1. O Amor, o Motivo da Criação Divina.
1.1. A Obra da Criação: Investimento Total
Deus não criou o céu e a terra com o propósito de dar vida a estes, mas sim para que assimilassem o amor.
Os cientistas dizem que o universo é constituído de energia e que devido a esta energia ele foi gerado. Porém, não é desta maneira. Falando sobre a eletricidade, esta não existe de antemão para causar a ação, mas o contrário, vem a surgir a partir da própria ação. Por isso, antes de haver a ação devem existir o positivo e o negativo, ou seja, o sujeito e o objeto. Por fim, então, após haver a interação entre o positivo e o negativo, através desta é que surge a eletricidade. Da mesma maneira, a energia necessita da interação entre sujeito e objeto para existir. Por este motivo o universo não pode ter sido originado a partir da energia, tal como os cientistas modernos têm dito, bem como também, a ação é que precede a energia e não o contrário. (111-126, 08/02/1981)
O que vem primeiro: o amor ou a vida? O amor vem primeiro. Não se diz que a vida vem em primeiro lugar e então a Terra surgiu a partir da vida de Deus, mas sim que o amor é que vem em primeiro lugar. Mesmo que venhamos a dizer que a criação do céu e terra tenha sido feita a partir da vida de Deus, esta tem como sua motivação e sua origem o amor. A vida veio a existir por causa do amor. Por que Deus criou o universo? Não importa o quanto Ele seja absoluto, ao estar só não consegue sentir felicidade, e embora até seja feliz sozinho não é possível sentir os estímulos da felicidade e devido a essa necessidade Ele criou. Mesmo que Deus clame dizendo: “Eu sou absoluto! Eu sou o protagonista do amor, o protagonista da vida!” ao estar só, não Lhe é possível sentir o estímulo do amor, não Lhe é possível sentir o estímulo vital do cosmos que está dentro de Seu corpo.
Se Deus pensasse apenas em Si mesmo, criaria Ele o universo? Criar significa investir Sua energia. O sonho de um artista é criar a mais bela de todas as obras primas. E para produzir esta obra, o artista tem que investir todo o seu coração e devoção. Então, apenas ao se investir tudo é que surge a obra prima perfeita. Apenas quando se chega ao ponto de não se poder ir mais além, é que então surge esta obra prima.
A criação se inicia a partir do ato de investir de si mesmo. Apenas através do investimento de energia é que se faz possível “o criar”. Sem o investimento de energia nenhuma criatura pode vir a existir. Observando pela regra de que um objeto perfeito é estabelecido a partir do investimento total, Deus então, como o sujeito, investiu-se totalmente para criar seus objetos. O próprio Deus, não existindo para Si próprio, mas sim para o bem do objeto, começou a agir e esta ação foi o ato de criação. (78-108, 06/05/1975)
O ato da criação significa investimento de energia. Ao se investir, o quanto desta foi investido? Achamos que Deus no ato da Criação criou pela palavra como por brincadeira dizendo: “faça-se assim ou faça-se assado”, mas não foi assim. Para isto, Deus investiu totalmente a verdadeira vida, o verdadeiro amor e o verdadeiro ideal. Nós também não podemos dizer que amamos a não ser que depositemos de todo nosso coração e devoção, e invistamos de nossa própria carne e sangue. Por isso, o estado de Deus pós-criação é diferente de Seu estado antes da criação. Antes de criar talvez viesse a pensar em Si mesmo, mas, uma vez iniciada a obra de criação, Ele devotou a Si mesmo totalmente para o benefício de seus objetos. A minha existência individual não é para o meu próprio bem, mas sim, para o bem de meu parceiro de amor e para o bem de meus filhos e filhas. Fomos feitos a essa maneira. (69-78, 20/10/1973)
Para Deus, criar o universo, significou investir totalmente Sua própria essência. Como conclusão, Ele investiu de Sua energia, mas investir desta energia é dizer que a essência de Seu ser foi dissipada. A criação do mundo objetivo foi realizada através do amor, mas para que Deus realizasse esta vontade teve que investir de si mesmo. Ao se investir Ele não o fez para produzir frutos para si mesmo, mas ao contrário, o fez para produzir frutos para seu parceiro objetivo. Deus ao investir de Si não se sentiu alienado ou indiferente mas, pelo contrário sentiu satisfação e gratificação. Isto se dá, devido a Ele ter criado com amor. (60-83, 06/08/1972)
Nós, mesmo tendo tomado uma boa refeição pela manhã, se trabalharmos duramente logo sentiremos fome e também rapidamente ficaremos cansados. Qual o porquê disso? Porque ao se investir da energia esta se exaure. Ninguém no mundo gosta de seguir sua vida sofrendo prejuízos. Sem falta, tem que haver algo positivo, algo lucrativo. Assim, porque Deus criou todas as coisas para o bem, inevitavelmente deve haver algo que será algo de positivo. Então, quando Deus poderá encontrar este algo, capaz de ser um ponto positivo? Neste há o padrão da perfeição dos seres criados. Tal como há um ponto em que se deixa de investir para ver o retorno, o lucro, aqui também ocorre da mesma forma. Tendo-se a esperança de fazer alguma coisa, empurra-se até o tempo que se ultrapassa o ponto limite e inevitavelmente o resultado deve retornar. Isto é uma lei do universo. Deus também é da mesma forma. Para criar o homem Deus investiu de Sua energia. Investiu de Sua própria energia! Ele exauriu a energia de Seu próprio ser. Como Ele investiu completamente tudo que poderia investir para criar o homem, o homem, então aperfeiçoado, não poderia fugir para outro lugar. O homem, tendo se aperfeiçoado, deveria então retornar a Deus o que lhe foi investido. E ao retribuir, digamos que se lhe foi investido 100, o homem não pode retornar um valor menor do que este, mas sim, retribuir à Deus um valor maior do que o valor da criação. (65-20, 13/11/1972)
Como começou o universo? Ao observarmos Deus vemos que o universo começou a partir do ponto em que Ele investiu-Se e deu-Se por completo. Começou no ponto onde Deus exauriu a si mesmo. Assim, após exaurir a Si para criar um objeto de amor, o que deve ser feito? Os dois então se exaurem completamente e como fruto desta exaustão surge o amor. Possuindo o amor não importa o quão exausto se esteja você se sente bem. Devido a esta noção de amor, Deus iniciou o ato da criação centrado no amor. Deus não estavam agindo de forma a se prejudicar. Por que então Deus depositou a Si mesmo apesar de ser isso um prejuízo? Porque o amor possui a força para poder preencher a tudo e ainda se fazer restar, e devido a isso, ao se investir e ir a exaustão, pode-se encontrar o amor no lugar do que se doou. O amor quanto mais é investido, ao invés de gradualmente se reduzir, aumenta a medida em que mais é movimentado. Se assim não ocorresse, mas ao contrário, houvesse o princípio de que o amor verdadeiro diminuísse, nesse caso, Deus ao investir de Si mesmo se consumaria. O amor verdadeiro, no entanto, é algo que ao ser investido, quanto mais se investe mais ele aumenta. (237-126, 13/11/1992)
Devido ao amor possuir o poder de criação ele não se cansa. Possuindo um coração de amor, não importa o quanto se invista, uma quantidade maior do que a energia exaurida sempre será reposta e devido ao amor possuir tal força ele nunca se extingue. Assim, por maiores que sejam as dores e as dificuldades, ele não se desagrada. O que aconteceria se ele se desagradasse? No caminho do amor nunca será possível haver sentimentos de aversão. Na essência de Deus não há o conceito de inimigo, não há o conceito de mal. Isto porque Deus existe em meio ao amor verdadeiro. (237-130, 13/11/1992)
Com base no ideal da criação de Deus, invista, invista e invista. Ao se investir, tudo começa a girar e girar. Para tomar o ar como exemplo, caso haja uma pressão baixa absoluta uma pressão alta absoluta, uma pressão intermediária surge. Sem ninguém pedir, o céu desce para equilibrar a pressão.
Devido a isso, o Céu sempre estará preenchendo aqueles que querem investir mais do que cem por cento. Assim é a lei do universo. A lógica da vida eterna aparece sobre a base de que na posição de se investir totalmente e completamente esquecer que se deu, faz-se a conexão com a movimentação eterna. Vida eterna, vida para eternidade, se não for por estes temas, de onde poderíamos ter arrancado o princípio da unificação? Ao se viver para os outros, gira-se, não é assim? Ao girar e girar, para onde se vai? Cada vez se torna menor e então sobe. Se algo em movimento circular vir a se espalhar acaba descendo, mas como estará subindo pouco a pouco poderá chegar no alto onde Deus automaticamente não poderá fazer outra coisa a não ser colocar seus pés nos ombros de Adão e Eva. (205-96, 07/07/1990)
Por que Deus criou todas as criaturas? Criar significa investir sua energia. É um investimento de energia. Investir energia significa exaurir a si mesmo. Por mais que Deus seja todo poderoso e possa extrair de Si mesmo muita energia, sem receber em retorno, inevitavelmente Ele ficará esgotado.
Deus depositou toda a sua energia para criar o ser humano e todas as coisas. Investiu tudo e investiu mais. Ao investir qualquer outra coisa, esta acabaria; mas apenas o amor verdadeiro, quanto mais se investe, mais se produz e mais se prospera. No amor verdadeiro, ao se investir 100, há o retorno de 120. Portanto, quem está praticando o amor verdadeiro, apesar de parecer que irá perecer, sempre prospera e vive eternamente. (219-119, 28/08/1991)
Por que Deus existe? Para que Ele veio a existir? Ele existe para o amor. Devido a isso, Ele necessita de um objeto de amor. Por esse motivo, o Deus todo poderoso teve que criar um objeto de amor. Não sabíamos até então que a criação iniciou-se centrada no amor, que é o ideal da essência de Deus. Todo o mundo criado foi feito por causa ao amor.
A esperança de Deus é possuir um fundamento mundial para poder nos dar tudo num sentido verdadeiro. Ele deseja estar em uma posição na qual, livre e pacificamente, em felicidade, ao nos dar, Ele não seja acusado por ninguém; bem como nós, ao recebermos, não sejamos restringidos por nenhuma condição que nos imponham. Expandir, em nível mundial, esta situação onde todos os povos possam assim viver é o propósito desta expectativa de Deus. (13-245, 12/04/1964)
1.2. A Realização do Ideal da Criação através do Amor
Deus criou este mundo para realizar o amor. Criou-o para sentir alegria ao ver um mundo de amor, paz e harmonia onde o homem e a criação se tornam um só através do amor Dele. Também, para sentir felicidade ao ver o ser humano centrado em Seu amor, criar os laços de verdadeiro casal e realizar uma verdadeira família, tribo, povo e mundo de amor. Deus criou para que Ele fosse feliz ao experimentar o gosto da alegria de ser um só com a humanidade através do amor. Tal era o ideal da criação de Deus.
Conseqüentemente, o coração é a base do ilimitado amor de Deus e do desejo original de amar centrado em um propósito. Este valor é imutável. Ao argumentarmos sobre o valor de Deus, não podemos fazê-lo sem nos ater a este amor. Valor é algo definido em meio à inevitável condição de um parceiro recíproco.
A alegria parte do coração de Deus. E ao perguntarmos onde este propósito é realizado, vemos que este se realiza a partir do ser humano. O coração invisível de Deus se manifesta através do coração visível do ser humano. O ser humano, portador deste coração, ao se expandir horizontalmente, forma uma família e esta família, ao se estender em nível mundial, se torna o centro deste mundo.
Pretendendo estabelecer tal família, Deus abençoou Adão e Eva para que crescessem e multiplicassem. Crescer, multiplicar, e dominar a criação é o fundamento sobre qual vem a existir a ideologia cósmica. (27-28, 15/11/1969)
Por que Deus fez o mundo da criação? Porque Deus pretendia sentir alegria através do mundo criado. Apesar de Deus ser absoluto, Ele não pode sentir alegria estando só. Isto é assim porque a alegria surge apenas quando há um parceiro de amor. Deus não tem necessidade de conhecimento, dinheiro ou poder. Por Deus por si só ser absoluto, onipotente e onisciente, Ele não necessita de tais coisas.
Não importa o quanto a ciência se desenvolva, ela nunca conseguirá superar as coisas criadas por Deus. O vasto universo também está se movendo dentro de uma ordem conforme uma lei. Ao pensarmos que Deus criou e continua mobilizando este vasto universo inatingível pela ciência e pelo pensamento humano, concluímos que Deus é o cientista absoluto.
Se alguém for enlaçado ao amor original de Deus e experimentar o sabor deste, viria a se separar de tal amor? Uma abelha ao provar do néctar não retiraria sua boca deste mesmo que puxemos sua cauda a ponto de a arrancarmos. Como ficariam os senhores ao sentirem um sabor assim? Mesmo ao sair, retornariam e mais uma vez imergiriam neste amor.
Conforme o Princípio da Igreja de Unificação concluímos que o amor de Deus é o aperfeiçoamento da base de quatro posições. Assim sendo, o que é o aperfeiçoamento da base de quatro posições? O amor dos pais é transmitido e sentido pelos filhos. Centralizando-se no amor dos pais, que é o centro da base de quatro posições, os filhos têm que se unir, o amor do homem e da mulher deve se unir e por fim devem se tornar um com o amor de Deus, isto sim é a base de quatro posições.
Adão deve se tornar um com Deus. O que causa esta conexão é o amor. O representante bidimensional do mundo da existência é o ser humano enquanto que o representante tridimensional deste é Deus. O centro que eternamente os conecta é o laço chamado amor. O ser humano, possuidor de um corpo, ao se fazer uno com Deus se torna inebriado com a sensação de felicidade e com o estado de infinita experiência viva do coração e dos sentimentos de Deus. (35-356, 13/10/1970)
E, finalmente, devido ao amor, Deus e o ser humano se tornam um. Também, devido ao amor, o ser humano e o mundo criado se tornam unos, e o mundo ideal do propósito da criação de Deus começa a ser realizado a partir deste ponto. O ponto onde se estabelece o novo amor centrado em Deus, de acordo com as leis da criação baseadas no amor, se torna o ponto de partida do ideal de Deus.
O que nós seres humanos desejamos tão logo acordamos de manhã depois de uma noite de sono? Não é tomar café da manhã, sair para trabalhar e as demais preocupações do mundo, mas sim possuir o coração de amor que não muda, um coração de amor imutável seja durante o dia ou à noite, ou durante a primavera, verão, outono ou inverno, imutável durante toda a vida. Deus criou o céu e a terra para, em um estágio de amor ideal, um homem e uma mulher com tal coração estabelecerem uma perfeita linha horizontal e poderem conectar-se a Ele em perfeitos 90 graus no local de amor onde o desejo humano e a vontade do céu se combinam.
Deus, em prol do amor, investiu e investiu a Si próprio, esquecendo-se de Si mesmo, iniciando a criação a partir de Sua própria essência e devido a isso Seus objetos, para poderem receber este amor, devem também investir a si mesmos junto com Ele. Tal como foi investido acima quem está abaixo deve investir. Fazendo dessa forma, Céu e terra tornam-se unidos em harmonia. Tornam-se unidos baseados no amor que pode abraçá-los e mobilizá-los e daí surge uma força magnífica.
Para possuir o amor, deve-se investir, investir novamente e esquecer o que foi investido. Por que se deve possuir tal tipo de amor? Porque o amor, quanto mais interage, ao invés de reduzir se torna cada vez maior. Nos fenômenos naturais do mundo da mecânica alguma coisa ao se mover ou agir, quanto mais se move ou age se torna menor, porém no mundo do amor verdadeiro quanto mais se age maior se torna. Deus, por saber disto pôde iniciar a criação baseando-Se no amor verdadeiro.