Seção 7. Pontos Problemáticos das Perspectivas Existentes Quanto à Deus
7.1. As Perspectivas Tradicionais quanto à Deus são Antinômicas
Há várias questões sem respostas em relação aos ensinamentos religiosos. Podemos citar: “Deus existe de fato?” “Deus é apresentado como sendo onipotente, onisciente, onipresente, o bem supremo, a beleza suprema, é o amor, é o mestre do julgamento, é o pai da humanidade e etc, mas como é que podemos saber que todas estas coisas são corretas?” “Deus poderia permanecer só e estar bem, mas por que então Ele criou o universo?” “Por qual propósito Deus criou o mundo?” “Deve ter havido um método para se processar a Criação - que método foi este?” “Se Deus é um ser de bem absoluto por que no mundo da criação surgem fenômenos como se aplicasse a lei da sobrevivência do mais forte?” “É dito que devido a queda do ser humano foi originado um mundo de pecado, mas por que a humanidade, criada pelo Deus perfeito, caiu? ” (122-302, 25/11/1982)
Deus tem muitos problemas. Por que, sendo Ele todo poderoso, não evitou que Jesus fosse pregado na cruz? Há outro caminho de salvação que não seja a cruz? Como responder a isso tudo? Sendo todo poderoso, ao não salvar Jesus da cruz, Deus se torna um Deus atroz. É um Deus que deve ser banido de defronte da humanidade. E então em que acreditar?
Não houve ninguém que tenha buscado entender o porque da tristeza de Deus após a Queda do homem, perscrutando as raízes dela, e investigando qual a relação entre Deus e a humanidade, qual o porque do Deus onisciente e onipotente parecer ter se tornado tão incapacitado? (133-217, 19/07/1984)
Até agora, apesar dos teólogos e das várias pessoas que se comunicaram com o mundo espiritual terem sabido sobre a existência de Satanás, nunca foram capazes de entender porque o Deus onisciente e onipotente não pode se defender da oposição dele. Isto também é um problema até para os que se comunicam com o mundo espiritual. Seja como for ao se decidir pelo lado de Deus, Satanás inevitavelmente está nos obstruindo. Satanás nos opões a partir de várias direções e não apenas de uma só. Mas por que Deus não pode interferir e restringir que Ele faça isso? Tais problemas até agora foram como enigmas. Isto é algo que não pode ser compreendido nem mesmo através da relação com o mundo espiritual. (133-86, 10/07/1984)
Até agora o Deus todo poderoso tem guiado o ser humano através de dezenas de milhares de anos de história. Mas porque então esta história não está rumando para um mundo onde o bem é realizado e pelo contrário acabou nos levando à um mundo de desespero desilusão? Este é um problema muito grave. Isto torna se um insumo para se julgar que Deus não existe. Se Deus não existe, o ideal aspirado pelo ser humano, o possível mundo de paz, o conteúdo da utopia tão perseguido como sendo algo possível no futuro, poderá então ser encontrado pela humanidade? Ao longo do extenso curso da história, pensadores bem como inumeráveis filósofos buscaram ansiosamente um mundo como este e não conseguiram atingi-lo deixando o mundo da maneira como está hoje. Considerando este fato, não podemos assumir que tal mundo de esperança virá sobre nós no futuro.
Por que o Deus todo poderoso deixa Satanás como está? Ele poderia condená-lo em apenas uma noite, cortando fora sua cabeça más porque Ele simplesmente o deixa como está? Por que Ele permite? Esta é mais difícil questão que tem sido deixada pela religião. É um assunto simples?
Atualmente muitas pessoas religiosas clamam por Deus pensando estar Ele sentado em um trono de glória em sua onipotência, onisciência e onipresença e portando autoridade absoluta. Assim sendo, pensam que Deus é um ser que não tem nada a haver até mesmo com a noção de qualquer dor ou tristeza. Dessa maneira, ao perguntarmos quem é Deus para os cristãos, ele nos respondem que “Deus é pai”. Dizem que todos os fiéis que chamam à Deus de pai devem se arrepender e praticar a fé em meio a este mundo maléfico. Apesar de haver uma relação de pai e filho entre Deus e a humanidade, dessa forma Deus e o homem estão sendo descritos como antinômicos. (123-154, 01/01/1983)
O Cristianismo hoje em dia diz que “Deus é o Ser sagrado e onisciente e onipotente que está sentado em um trono nos Céus como Mestre do Juízo, julgando todos os povos.” No entanto, há alguém que goste de ser um juiz? Um juiz após 10 anos trabalhando sério adoece e morre. Ou pior que morrer, ele pode cair doente e seguir enfermo em uma cama. Se ele não ficar doente após estes 10 anos é por que ele é não é um juiz de verdade. Apesar de dar o veredicto que pode privar o direito a vida de outras pessoas pela condenação à pena de morte, o juiz mesmo não pode considerar completamente absoluto seu veredicto. As argumentações e interpretações podem seguir em várias direções, entretanto no final a vida ou a morte da pessoa é decidida conforme o veredicto do juiz. Esta é uma questão muito séria. Ao observarmos este fato sob a luz das leis universais vemos que a lei coreana não pode ser absoluta. Devido a isso uma pessoa comum, após 10 anos como juiz, inevitavelmente adoeceria. (198-285, 05/02/1990)
Tá, então, se existe um Deus que é o grande mestre deste universo, temos que perguntar por Ele alguma vez. As igrejas tradicionais de hoje em dias pensam que Deus está sentado em um trono, em sua onisciência e onipotência, e que vindo como o senhor do julgamento mandará os maus para o inferno e aos bons para o Reino dos Céus... se Deus gostar de ver este tipo de coisa Ele é um Deus louco. Deus está em uma posição de bem absoluto que transcende as questões entre bem e mal.
Para os pastores das igrejas tradicionais Deus está sentado em trono, todo poderoso e onipresente mas qual é a graça nisso? Se Deus ficar apenas e tão somente sentado em Seu trono, no trono real, por alguns milhares de anos, Seu traseiro não vai ficar mole não? Se os senhores acham que gostariam de ficar sentados o tempo todo, experimentem então ficar sentados durante 3 dias. (192-30, 02/07/1989)
Assim sendo, o que Deus está fazendo? Pelo que falam os cristãos Deus está sentado em seu trono em meio a glória eterna... mas que glória é essa de ficar sentado sozinho? Desde o princípio de tudo até os dias de hoje ficar sentado em um lugar dizendo: “Como é bom meu poder! ” ou “Ó minha onipotência e onisciência, posso satisfazer todos meus caprichos...” mas o que Ele faria com isso? Deus até agora tem vivido centrado no amor. Não é possível negar está lógica. (191-23, 24/06/1989)
Já que parece que Deus pode fazer tudo que bem entende, por que então até hoje, durante o longo período da história humana de cerca de 850 mil à 1,5 milhões de anos Ele deixou o mundo ficar desse jeito deplorável como está? Devido a isso é que se pode vir a concluir que Deus não existe. Um Deus todo poderoso que não diz uma palavra? Isto é uma argumentação infundada. O porquê Dele não poder fazer isto é a grande questão! Por que Ele não pode? Por que Ele depende de condições. (162-187, 12/04/1987)
O que aconteceria se a queda não tivesse ocorrido? As igrejas tradicionais hoje em dia dizem que Deus é sagrado e todo poderoso e que nós seres humanos somos mundanos, mas isto é um mal entendido. Tentem ir ao mundo espiritual para ver isto. Lá as pessoas também chamam Deus de “Pai” tal como fazem as pessoas do mundo hoje. Quem é o Pai? Se o Deus sagrado fosse incapaz de entrar em uma relação com as pessoas, poderíamos chamá-lo de “Pai”? Isto é desde o início uma contradição, é lógico. É algo coberto de contradições. Porém as coisas que o Rev. Moon fala são razoáveis. (240-192, 13/12/1992)
Por que estou falando sobre estas coisas? Deus inicialmente criou os seres humanos como seus filhos e filhas, mas pôde Ele ver a estes filhos e filhas cantarem e dançarem para adorarem-No? Por que o ser humano foi escorraçado devido à queda, este dia ainda não foi possível até agora. O fato de Deus estar assim é algo desconhecido pelos seguidores das igrejas tradicionais.
Eles pesam que Deus está envolto em glória e que devido Ele ser onisciente e onipotente, é capaz de fazer qualquer coisa. Assim sendo, a questão é: “Porque Ele não tem sido capaz de salvar a humanidade em todos estes incontáveis milhares de anos?” Como poderiam responder a isso? Isto se deve ao fato do ser humano ter cometido o pecado. Já que o ser humano cometeu o pecado é o próprio ser humano que deve liquidá-lo. (226-304, 09/02/1992)
O que é que Deus deseja absolutamente? Isto é um problema. Qual a coisa que Deus deseja? O que Deus deseja de maneira absoluta? É o poder? As igrejas e a teologia tradicionais nos dias de hoje afirmam que por ser Deus onipotente e onisciente, Ele virá como o Mestre do Juízo em justiça e enviará os bons ao Reino dos Céus e aos maus para o inferno. Gostariam de um juiz assim? Vocês gostam dos juízes mundanos? Que tipo de Deus é esse que criaram - um Deus perverso que manda para céu e para o inferno? Conclui-se logicamente que são todas condutas injustas. (211-76, 29/12/1990)
A teologia tradicional tem portado a lógica de que Deus é um ser sagrado e que as coisas por Ele criadas são mundanas. Essa é uma lógica que viola a natureza original do princípio que formou o universo. Apesar do pensamento fundamental da filosofia tradicional cristã ser o amor, como é possível ao “vulgar ser humano pecaminoso” tornar-se um com o “Deus sagrado”? Há que se colocar isto em uma base teórica. Se não há como se colocar isto em uma base teórica, significa que isto é nulo, é uma falsidade. Por isso, até mesmo para o Deus absoluto, deve haver um parceiro objetivo pelo qual Ele jogaria fora sua própria vida, desejaria servi-lo, possuí-lo e obedecer a ele. (204-102, 01/07/1990)
Atualmente os teólogos tradicionais estão falando: “Esse é o tempo em que devemos analisar e julgar toda nossa fé. Chegamos ao tempo em que temos que reexaminar tudo que diz respeito a visão quanto à Deus e quanto a vida humana.” Até agora a tendência do pensamento teológico era que a criação não poderia posicionar-se em paridade com o sagrado Criador. Mas assim sendo, como pode haver amor? Deus por Si só é capaz de amar? O que é então a paz e a felicidade? Deus pode tê-las a sós? Se lhes for perguntado isso como deverão responder? É preciso que exista um parceiro recíproco. (77-313, 30/04/1975)
Qual o motivo do surgimento do mundo da criação? É por que Deus também precisa do amor e por isso Ele criou os céus e a terra. O ponto de vista da teologia tradicional atual quanto à Deus está errado devido a não conhecerem este fato. Acham que a fórmula é que o poder absoluto de Deus, e apenas com esse poder tudo é possível.
Devido a isso, em todos lugares por onde a cultura cristã passou houve derramamento de sangue. Sobre esta lógica é possível se fazer uma predição de que apesar da civilização européia ocidental ter se desenvolvido seguindo a cultura cristã, esta cultura, neste tempo dos últimos dias, irá causar um impacto devastador no mundo. (209-31, 25/11/1990)
A história está rumando para a era da ciência. Todas as causas serão compreendidas, será buscada a origem de todas as espécies e será a era do desenvolvimento da ciência no esforço para encontrar a origem de tudo. Devido a vinda desta era, a própria religião não poderá deixar de acertar os seus passos a isso. Deverá existir uma religião, que portando um ponto de vista subjetivo, explique como deverá ser o mundo e quais são os conteúdos da criação divina provando e demonstrando Deus. Porém, como esta religião não existe, Deus necessita preparar tal religião pois Ele é um Deus vivo. (211-141, 30/12/1990)
Se a humanidade foi criada pelo Ser Absoluto de maneira a poder praticar o amor deste Ser Absoluto, é claro que havia uma motivação e um propósito por rãs de nossa criação. Para esclarecermos esta motivação e este propósito, e esclarecermos o problema de que tipo de ser é este “Ser Absoluto”, precisamos, antes demais nada, estabelecer o ponto de vista correto quanto a Deus. Estabelecendo-se este ponto de vista correto quanto à Deus, descobriremos Sua motivação e propósito e em seguida, em prol da paz, será esclarecida a razão de termos que praticar o amor absoluto.
Se o Deus absoluto, eterno, único e imutável existe, é necessário que exijamos Dele, a partir de um novo ponto de vista, a origem do amor verdadeiro, dos verdadeiros ideais, da paz verdadeira e da felicidade verdadeira. Vendo deste ângulo devemos ir ao encontro de um novo mundo de paz e felicidade a partir do ponto onde possamos compreender corretamente a visão de Deus, a visão da vida e a visão quanto à matéria, a partir da própria opinião de Deus. (77-255, 14/04/1975)
Ao final de contas, a causa fundamental das discussões religiosas esta na ambigüidade da ontologia. O ser absoluto é apenas e tão somente um e não pode ser dois nem três, porém, ignorando a isto, cada um dos líderes das diferentes religiões afirmam que o ser absoluto de sua própria religião é o Deus correto e que fora este não há deus verdadeiro e por fim cada religião acabou supondo ter seu “próprio ser absoluto” vindo a existir a lógica absurda de que há vários seres absolutos. Assim sendo, conclui-se que os deuses de cada uma das religiões são meramente deuses relativos, e que os estabelecidos padrões de valores, ditos absolutos, e as teorias sobre a verdade e o amor de Deus permanecem todos sendo relativos também. Surge portanto a conclusão de que até agora foi impossível estabelecer um padrão de valores absoluto que pudesse solucionar a confusão caótica da religião. Isto é inevitavelmente resultante do fato de que nenhuma religião foi capaz de apresentar a correta explicação quanto ao Ser Absoluto. (122-303, 25/11/1982)
Cada uma das religiões toma como base do estabelecimento de suas doutrinas a existência de um ser absoluto. No judaísmo o ser absoluto é Jeová, no cristianismo o ser absoluto é Deus, no islamismo Alá. No budismo e no confucionismo o ser absoluto não é exposto claramente mas a virtude confucionista tem como fonte a benevolência e esta por estar conectada com os mandamentos celestial, nos leva então a ver que no confucionismo o Céu é o ser absoluto. No budismo se fala que os “fenômenos da existência” (諸法) estão sempre em mutação e que por trás desta realidade fenomenológica podemos encontrar a “realidade verdadeira” ( 眞 如 ). Esta “realidade verdadeira” então pode ser vista como o ser absoluto do budismo. (122-301, 25/11/1982)
Uma nova ontologia que busque a religião deve esclarecer que os seres absolutos de cada doutrina até agora vistos como sendo diferentes um do outro são na verdade apenas um mesmo: “Deus”. Ao mesmo tempo, sendo que o ponto de vista de Deus de cada uma das religiões é capaz de compreender apenas uma porção dos atributos divinos, para que se possa compreender corretamente o aspecto geral de Deus, é preciso se esclarecer que todas as religiões foram estabelecidas por Ele como uma irmandade de religiões. E não só isso, esta ontologia deve esclarecer sobre os atributos de Deus junto com a motivação, o propósito e as leis de Sua criação e deve também elucidar que tal como o universo criado se move e é controlado conforme este propósito e estas leis, o ser humano deve seguir normas bem como também as leis do universo, tornando-se um só corpo com o caminho dos Céus. (122-304, 25/11/1982)
A grandiosidade do Princípio da Igreja da Unificação está no fato de que ele explica a criatividade em termos concretos e nos auxilia a compreender como é que se procedeu a Criação. Em seguida, ele nos fornece uma explicação substancial quanto a como ocorreu a Queda a apresenta uma perspectiva quanto à história. Este mostra de maneira autêntica que Deus ao longo do curso da história não negligenciou ao ser humano após a queda, mas sim, fez inúmeros esforços para realizar a recriação deste. Revela teoricamente de maneira clara que Deus, através deste curso da história, atingirá o mundo que é do Seu propósito. (208-298, 20/11/1990)